A história da proibição do burkini, em França, anda a incomodar-me. Incomodar é pouco, anda mesmo a irritar-me e muito. Proibir a burka eu até percebo, por questões de segurança é importante que a pessoa não tenha a cara tapada, e de burka é impossível identificar seja quem for. Agora o burkini muito sinceramente não percebo a escandaleira. Aquilo incomoda exactamente porque? Uma pessoa completamente vestida (mas com cara à mostra) incomoda? É que a mim sinceramente consegue incomodar-me mais algumas pessoas demasiado despidas, incomodam-me as leggins em geral, as "tigresse" em particular, mas não andam aí a proibir as pessoas de as vestir pois não? Não percebo o porquê de países (supostamente) desenvolvidos fazerem uma proibição dessas. Onde é que anda a liberdade de cada um poder vestir o que quiser? Anda-se a criticar a falta de liberdade nos países muçulmanos, que têm uma total falta de respeito pela liberdade em geral e das mulheres em particular e depois faz-se uma coisa destas? Não percebo como é que andamos a regredir em direitos supostamente básicos, e voltamos a ter que nos vestir como outros consideram correto. A França, com o seu lema "liberté, egalité, fraternité"consegue contradizê-lo absolutamente com esta proibição. O medo está a toldar-nos completamente o juízo e a deixar-nos tão extremistas como os que andamos a combater.

Eu acho que a ideia é proibir a proibição das mulheres muçulmanas poderem vestir-se de outra forma. A burka e o burkini são imposições da religião e isto parece-me uma tentativa de evitar que as mulheres sejam sujeitas a discriminação que o Islão radical lhes impõe. É uma tentativa de introduzir valores ocidentais na religião muçulmana, entendes?
ResponderEliminarO que acaba por acontecer é mesmo a saída do tiro pela culatra. Ao proibir, a França está a ser tão ou mais radical que os radicais islâmicos. É a complexidade da época em que vivemos.
Eu entendo, mas não concordo. A ideia é que essas mulheres passem a (querer) ter liberdade de escolha, seja na roupa ou noutro assunto qualquer, e eu acho que isso não vai lá com a proibição de usar a roupa que estas mulheres estão habituadas tem que haver uma mudança de mentalidades, e isso leva tempo. Esta proibição ( que entretanto já foi anulada) não dá liberdade as mulheres, faz uma exigência, e isso elas já estão habituadas. Isto é um pouco como um casal que está numa relação que não resulta, não se pode obrigar alguém a acabar uma relação, pode sim ajudar-se a que a pessoa perceba que há alternativas melhores.
EliminarSim, concordo com o que dizes. As autoridades francesas não viram as coisas por esse prisma (que é o correcto) e optaram pela via da proibição. Felizmente, prevaleceu o bom-senso com a decisão do tribunal.
EliminarGostei da analogia que fizeste com as relações. Bem jogado ;)