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| Fotografia da Exposição de Andy Warhol em Praga |
Naqueles filmes de sábado à tarde, de qualidade duvidosa (aqueles de gaja) a personagem principal leva toda uma vida com os mesmos hábitos, a cometer os mesmos erros. De repente há um dia em que tem uma epifania (normalmente levou com os pés pela quingentésima vez) e resolve dar um murro na mesa, virar o jogo e mudar a personalidade que teve durante 20, 30, 40 anos. E a coisa resulta, resulta mesmo. Nos filmes. O problema pode ser meu, mas nunca conheci ninguém que o tivesse feito com sucesso. Há quase 28 anos que oiço que devo viver mais, pensar menos. Sim 28 anos. Já em criança pensava em todas as consequenciais possíveis e imaginárias do disparate que me apetecia fazer. Era a miúda certinha que raramente fazia uma asneira. Hoje sou a miúda certinha que raramente faz algo certo porque não faz uma bela de uma asneira. E eu adorava viver num filme. Resolvia que não ia pensar nas coisas. Fazer e deixar acontecer. Depois logo se vê. Logo se resolve. Mas não, calhou-me em sorte viver numa vida real, em que o meu cérebro funciona demais e tem demasiado poder em mim. E depois, quando eu não me deixo levar. Quando avançam. Quando eu recuo. Dizem-me, invariavelmente, que tenho que descontrair, não stressar tanto, não pensar tanto. E eu sei que é verdade. Mas experimentem viver com o meu cérebro, um dia que seja, e depois digam-me como correu com esse grande ditador.